Há quem pense que uma escola tem de escolher entre ser exigente e ser acolhedora, como se fossem os dois pratos de uma balança. A nossa experiência é outra. Um bom treinador sabe que o atleta que mais exige de si é precisamente o que mais precisa de sentir que o treinador está do seu lado.
Exigir é acreditar que o aluno é capaz de mais. Quando um professor mantém a fasquia num trabalho difícil, está a dizer ao aluno que confia nele. Cuidar é garantir que ele tem os meios para lá chegar: tempo, explicações claras e um adulto atento quando a fasquia parece alta demais. Sem cuidado, a exigência transforma-se em pressão. Sem exigência, o cuidado fica reduzido a uma proteção que não deixa crescer.
O mesmo equilíbrio constrói-se em casa. Um limite explicado com calma, uma tarefa que cabe a cada filho cumprir, como pôr a mesa ou preparar a mochila, e um elogio sincero quando algo lhe custou a fazer. São atitudes simples que dizem à criança, ao mesmo tempo, «esperamos isto de ti» e «estamos contigo».
Nas nossas escolas, procuramos este equilíbrio todos os dias, em cada sala e com cada aluno. É um trabalho que fazemos em conjunto com as famílias. Porque acreditamos que educar é preparar para a vida. Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Nacional
Diz-se que educar vem do latim educere, que significa conduzir para fora. Pode ser uma coincidência feliz, mas em novembro, com o S. Martinho a 11, é difícil não a levar à letra. Que melhor altura para sair da sala do que quando o chão cheira a folhas molhadas e o vento obriga a apertar o casaco?
Lá fora, a aprendizagem acontece sem que ninguém a anuncie. Uma criança que equilibra um pé num tronco molhado está a calcular o risco. Outra, que descasca uma castanha ainda quente, aprende paciência, temperatura e matéria ao mesmo tempo. A lama ensina que nem tudo se resolve à primeira e que sujar as mãos faz parte do processo. Como guia Montessori, habituei-me a confiar nisto: a criança aprende com o corpo inteiro, e o corpo inteiro precisa de ar livre.
E o frio? E a chuva? Todo o problema tem pelo menos uma solução: roupa por camadas, botas impermeáveis, uma muda na mochila. O tempo mau raramente é o obstáculo. Costuma ser a nossa vontade de ficar a salvo.
Fica o convite para este fim de semana: um passeio sem destino e sem pressa, a apanhar castanhas e folhas, a ouvir o que o vento tem para dizer. Quem sabe se, de regresso a casa, com os sapatos sujos, não ouvimos aquele «Ah! Entendi» que tanto nos faz sorrir.
Inês Villas-Boas Martins · Diretora Pedagógica, Oceanus International School
Entrevista · Centro de FormaçãoFormar quem formaConversa com o Dr. Manuel SarmentoO Centro de Formação São Miguel Febres Cordero Muñoz é o centro de formação da MB Education e serve todas as escolas e centros do grupo. Falámos com o Dr. Manuel Sarmento sobre o que faz, para quem trabalha e o que isso significa para as famílias.Ler a entrevista →
A 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, Portugal recorda uma das suas tradições mais antigas e mais bonitas. Em tempos, as crianças saíam de casa bem cedo, em pequenos grupos, batiam de porta em porta e pediam «Pão por Deus». Em troca recebiam pão, broas, bolos, frutos secos, romãs e castanhas, que levavam em saquinhos de pano.
Conta-se que o costume ganhou força em Lisboa depois do terramoto de 1755, numa altura em que muitas famílias passavam fome e o pão partilhado era uma ajuda real. Com o tempo, espalhou-se pelo país e foi tomando formas e nomes diferentes. Na zona de Coimbra, por exemplo, eram os Bolinhos, pedidos na véspera.
Há um sentido profundo neste gesto. O Pão por Deus nasceu de uma comunidade que olha para quem precisa e reparte o que tem. Quem pedia, recebia. Quem dava, fazia-o com generosidade e sem esperar nada em troca. É um pequeno ritual que ensina às crianças que ninguém vive sozinho e que o pão partilhado sabe sempre melhor.
No pré-escolar e no 1.º ciclo, damos valor às tradições que dão raízes às crianças. Conhecer o Pão por Deus é perceber de onde viemos, ouvir as histórias dos avós e dos bisavós e descobrir que a nossa cultura se constrói de pequenos gestos passados de geração em geração. É também uma oportunidade para trabalhar a linguagem oral, a memória e valores como a gratidão e a generosidade.
Propomos às famílias que conversem em casa sobre esta tradição. Perguntem aos avós como era no seu tempo, que versos diziam, o que levavam no saco. E se houver um vizinho, um amigo ou um colega a quem possam levar um pão, uma broa ou simplesmente um sorriso, aproveitem. Assim, a tradição continua viva.
No âmbito da comemoração do Dia Mundial da Música, as crianças das salas dos 5 anos tiveram a oportunidade de conhecer a música de Sérgio Godinho, explorando-a através da escuta, da descoberta e da criatividade. Começaram por ouvir com atenção, identificar os instrumentos presentes na melodia e descobrir os diferentes sons.
Para completar a experiência, pegaram nos pincéis e fizeram ilustrações de Sérgio Godinho, dando forma às suas próprias interpretações. O resultado é um mural cheio de retratos, cada um com o olhar de uma criança, ao lado de instrumentos desenhados e de frases das canções.
A partir das letras, exploraram as palavras e os seus sons. Desta exploração nasceu a árvore das rimas, construída em conjunto, onde as palavras que rimam foram ganhando lugar nos diferentes ramos, criando ligações entre elas.
Esta atividade assume particular importância na Educação Pré-escolar, porque contribui para o desenvolvimento da consciência fonológica. Ao prestarem atenção aos sons da linguagem, as crianças começam a identificar semelhanças sonoras entre palavras e a reconhecer rimas. Através de uma abordagem lúdica, a música tornou-se um ponto de partida para explorar a linguagem, despertar a curiosidade pelas palavras e desenvolver competências essenciais para a futura aprendizagem da leitura e da escrita, respeitando o ritmo e as descobertas de cada criança, tal como referem as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE).
Nos dias 22 e 23 de outubro, os alunos do 1.º ano viveram uma tarde diferente e muito especial com a visita ao Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Braga.
Para além de conhecerem de perto as instalações e o dia a dia de quem nos protege, os nossos pequenos exploradores tiveram a oportunidade de entrar no camião dos bombeiros e subir na grua para ver a cidade lá do alto, uma experiência que fez as delícias de todos!
Foi também um momento de grande aprendizagem. De forma simples e divertida, os alunos ficaram a conhecer melhor o importante trabalho dos bombeiros e aprenderam cuidados essenciais para garantir a sua segurança em casa e na rua.
Regressámos ao Colégio de coração cheio e com muitas histórias para contar!
Obrigado ao Batalhão de Sapadores Bombeiros de Braga pela forma tão carinhosa e dedicada com que nos recebeu.

Há palavras pequenas que fazem um grande trabalho. «Bom dia», «com licença», «por favor». Demoram menos de dois segundos a dizer e mudam o ambiente de uma sala inteira. Quem já entrou numa sala onde ninguém levantou os olhos sabe a diferença.
As boas maneiras não são verniz nem regras de museu. São a forma mais simples de dizer ao outro: reparei em si, e você importa. Na Escola do Ser, é isto que procuramos formar. O respeito e a empatia começam num cumprimento e chegam, mais tarde, a tudo o resto.
Como mãe de um menino, sei que ninguém aprende isto com sermões. Aprende-se a ver os adultos fazerem. Se o cumprimento ao porteiro, ao motorista ou à avó for sincero, a criança copia sem que ninguém lho peça. Se for dito a correr e de olhos no telemóvel, também copia. Funciona nos dois sentidos, e convém lembrarmo-nos disso à porta da escola, de manhã.
O desafio desta semana é simples: cumprimentar primeiro. Em casa, na escola, na rua. A cortesia é contagiosa, e há contágios que vale a pena espalhar. Obrigada por tudo e por tanto. Fiquem bem e façam acontecer.
Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.
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